Crescer no bairro da Moóca me proporcionou entre muitas coisas boas e felizes, ter a infância regada à farinha e molho de tomate. A visão espetacular das tiras de macarrão espalhadas pela cozinha de minhas avós para que a massa secasse era tão familiar que eu achava que todas as cozinhas do mundo eram como a dela. Entre Dorinas, Zulmiras e Seraphinas é quase impossível determinar o momento em que me apaixonei de fato pela cozinha italiana. Sempre houve essa ligação.

Lidar com a culinária italiana é, para mim, uma forma de resgatar um tempo em que a mesa de uma família era um lugar de reunião e a cozinha um lugar de festa e de barulho. Tudo era preparado com cuidado, o modo de fazer cada prato trazia a tradição que por sua vez, perpetuava os laços entre as gerações.

A diversidade maravilhosa da culinária italiana é outro ponto que me fascina. Água e farinha quando combinadas são a base de uma gama imensa de diferentes alimentos – dos doces mais tradicionais à famosa pizza.

Minha ideia é trazer para este espaço de “virtualidades” que serve a um mundo sem tempo, uma culinária que faz do preparo de cada prato um culto às tradições, às conversas em torno da mesa, ao tempo de se fazer, preparar, esperar e saborear.  Uma cozinha para que as pessoas possas passar mais tempo juntas. Cozinha é afeto, é laço e emoção, é família.

Rendelucci

Durante muito tempo trabalhei com educação e com informática. Fui professor, coordenador, diretor, programador, analista, publiquei um livro sobre programação e fui até um dos coordenadores de um museu sobre ciência. Quando as pessoas me viam na cozinha ficavam surpresas, pois não acreditavam que alguém tão tecnocrata poderia saber cozinhar. Abri o Nonna Dorina trabalhando apenas com comida italiana e com métodos tradicionais de preparo, a ponto de fazer meu molho em fogão a lenha, como fazia minha bisavó Dorina. Passado algum tempo, ser aceito na FIC (Federazione Italiana Cuochi) foi para mim motivo de grande orgulho. Aprendi a fazer pizzas (o prato que mereceria o Nobel da Culinária se existisse), iniciei na “arte bianca” sempre mantendo a tradição no preparo e, quando possível, nos ingredientes.

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Senha perdida